No seu tempo, criando, experimentando e compartilhando
Rio de Janeiro
Texto por Maria Vitória Martins
Assistência de edição por Carolina Ernst
Fotografias por Yghor Boy
Designer e estudante de história da arte, Juh Barbosa explora diferentes caminhos em seu processo criativo. Transitando entre o digital e o físico — do desenho no papel e no iPad ao uso de scanner e edições no computador —, compartilha parte dessas experimentações em suas redes sociais. Hoje, dedica-se principalmente à serigrafia, técnica pela qual se apaixonou.
Ao perceber a falta de espaços onde artistas e criativos pudessem imprimir, testar ideias e acompanhar seus processos mais de perto, criou o Blackburn Print Club, estúdio criativo e clube de impressão em Vila Isabel. Em seu trabalho, transparece o quanto se diverte e se envolve com aquilo que faz.
Conversamos sobre sua infância, a influência de uma família bastante criativa e os caminhos que vêm guiando sua prática criativa.
1. Juh, me conta um pouco sobre você?
Para falar sobre mim, eu falo muito sobre a minha família. Acho que é um ponto de partida muito importante para a minha formação, até profissional mesmo. Eu sou de uma família de pessoas que trabalham e sempre trabalharam com arte, então eu sempre fui muito inspirada neles.
Meu pai é fotógrafo, minha mãe é designer e atualmente tem um espaço cultural também em Vila Isabel, a Kasa 123. Meu irmão Vitor, o mais velho, é um grande comunicador, trabalha na FARM com questões relacionadas à sustentabilidade; meu irmão João é músico, enfim, pra falar de mim eu tenho que falar um pouco deles.
Tive uma infância muito boa, é uma parte da minha vida de que sinto muita falta. Foi um período de muita liberdade para ser criativa. Também acho que ter dois irmãos moldou a minha construção nessa questão de gênero. Na minha família nunca houve esse discurso do que é brinquedo de menino e o que é brinquedo de menina. Obviamente tem muitas questões que não deixamos de passar pelo contexto em que vivemos, mas vejo como cresci muito num lugar de liberdade e isso me ajudou muito a ser quem eu sou. Até também a entender todas as questões que me atravessam sendo uma mulher negra.
Então pra mim foi muito importante ter crescido nessa família que já discutia o que até então era pouco falado. Hoje em dia temos esses debates mais difundidos, mas já tínhamos na minha família esse empoderamento muito nosso. Só depois, quando adulta, percebi que faziam isso de maneira muito sutil exatamente pelo recorte deles.
Meu tio-avô é cineasta e construiu o Centro Afro Carioca de Cinema, na Lapa, onde acontece todo ano o festival Encontro de Cinema Negro. Então tenho pessoas na minha família que sempre lutaram muito por esse espaço e, querendo ou não, me passaram isso. Cresci com muitas referências positivas e para mim nunca foi uma questão de “ai meu Deus, sou uma pessoa negra”. Eu só estava ali circulando com outras pessoas que também faziam suas coisas. Eu nasci em Botafogo, mas vivi a minha infância toda em Copacabana. Quando eu vejo minha foto escolar, sou a única criança negra, mas eu nunca me senti nesse lugar de diferença como muitos amigos, que depois fui conhecer na faculdade, sentiram. Percebia nos debates “caraca, eu não cresci muito com isso.” Obviamente que o racismo está aí, ele impacta de várias formas, mas eu acho que nessa questão do crescer, nessa questão de eu me ver em espaços, nunca tive muito essa visão de que eu não poderia ser alguma coisa, de que eu não poderia estar em algum lugar. Eu tive essa rede que sempre me protegeu também, cresci nesse lugar de proteção que dava para mim e meus irmãos as liberdades possíveis ali. Então, acho que um pouco de mim vem muito desse lugar. Eu não posso deixar de falar deles.
2. Sem saber, eu ia te perguntar isso. Se você desde pequena sempre desenhou e se tinha alguma influência da sua família?
Sim, com certeza. Minha mãe, como designer, estava sempre com canetinhas novas, trazia coisinhas de lugares que eu amava. Lembro que quando eu era criança tinha umas canetinhas que eram uns bichinhos – um elefante, uma girafa, enfim, eu era fissurada e amava desenhar com aquelas canetas. Lembro de coisas específicas que me davam, pelas quais eu ficava meio obcecada, e queria muito usar. Tínhamos uma mesinha laranja e eu lembro muito de ficar nela brincando, desenhando, criando personagens e histórias. Gostava muito disso, com certeza foi influência ali desse meio e dessa liberdade que eu tinha para experimentar e brincar.
3. E curioso como você e seus irmãos, os três, foram para lados criativos, né?
Total. Eu acho que tem um pouco da gente, mas com certeza o meio, querendo ou não, também nos influencia. Fazíamos a Escola de Música Villa Lobos, nós três, sendo que, obviamente, quem mais gostava era o João, então ele continuou. Ele viu que era dele e seguiu. Então íamos testando e quando gostávamos, ficávamos lá. A gente brinca que temos uma grande agência em casa, fomos todos pro meio criativo. Se a gente quiser, a gente tem um pouquinho de cada e consegue abrir aqui um negocinho familiar.
4. Você diria que a serigrafia é a técnica que você mais gosta de trabalhar? Quais são suas técnicas e ferramentas favoritas?
Juh Barbosa
Com certeza, a serigrafia é uma técnica pela qual me apaixonei muito. Tem todo esse percurso artístico que é meio louco. Acho que a maioria das pessoas fica muito no embate de precisar fazer uma arte muito realista, nesse lugar de seguir grandes mestres e tal. Só que não era um caminho que me pegava, eu nunca curti muito isso. A minha busca sempre foi por essa representação que ao olhar parece muito simples, mas não é. Chegar nessa simplificação da imagem é muito difícil. Eu ficava testando, pintava óleo, aquarela, guache… depois eu larguei de mão e fui pro digital. Eu sempre fui muito da internet. Lembro que nesse momento ganhei uma mesinha digitalizadora e comecei a aprender a usar ela. Dificílimo de início. Desisti um pouco e voltei pro lápis, caneta por um tempo. Depois resolvi voltar pro digital e aí fluiu. Gostava de poder criar com ainda mais liberdade de testes no computador. Então eu fui expandindo minha linguagem para a ilustração, desenvolvendo meus desenhos até com técnicas mais tradicionais, com misturas de cores e tal, ali foi o meio que eu consegui também gostar mais disso. De fato, consegui desenvolver minha linguagem como ilustradora, que foi como eu fui me entendendo nesse meio.
Eu entrei na faculdade querendo muito trabalhar com animação, pensando em misturar essa questão do desenho com a linguagem de filme. Eu gostava de muitas coisas e fui me entendendo ali dentro. Foi onde também tive contato pela primeira vez com a serigrafia. Eu nunca tinha me perguntado como que uma camiseta era estampada, aquilo me instigou. Comentei com a minha mãe um dia, aí ela falou: tem um curso aqui, quer fazer? Minha mãe é assim, a gente fala alguma coisa que gosta e ela sempre aparece com um curso, está sempre muito ligada. Fui lá, fiz, aprendi todos os processos da serigrafia e curti muito. Foi uma técnica que realmente expandiu minha mente. Ela, de certa forma, dialoga com o que já estava construindo e fui explorando isso.
5. Você abriu recentemente o Blackburn Print Club – estúdio criativo e clube de impressão, onde também acontecem cursos e oficinas. Conta um pouco mais sobre ele?
Juh Barbosa
Eu comecei primeiro com a Silk Delas, foi um estúdio embrionário – era eu e mais uma parceira. Eu ficava na parte da serigrafia e ela mais na costura. Fomos criando, fazendo camisetas para amigos, para o estúdio da minha mãe, fui ganhando experiência ali e entendendo como a técnica de fato funcionava. Também entendi que existia uma demanda de criativos, designers, artistas, ilustradores querendo botar seus desenho em vida, no papel. Surgiu então a vontade de criar um espaço para que essas pessoas pudessem reproduzir os seus trabalhos. A parceria acabou, mas eu ainda fiquei com essa vontade de criar algo com a serigrafia, de ter um estúdio.
E aí surgiu o Blackburn, que é o nome de um artista, homem negro, gay e impressor de Nova York – Robert Blackburn. Em um momento bem complicado de segregação racial nos Estados Unidos, ele criou esse clube de impressão em Nova York como um espaço para receber artistas, ilustradores, gravadores, designers para estarem juntos criando. Ali ele tinha todas as ferramentas e dava aulas. Quando conheci a história dele, veio à mente o nome como uma homenagem.
Então o Blackburn tá surgindo, é um projeto novo que comecei na metade do ano passado. A gente fica naquela dúvida, “caramba, será que eu lanço, será que eu não lanço?” Só pensei “É isso que eu quero, é minha maior vontade, vou lançar aí pro mundo”. Esse projeto do Robert Blackburn me inspirou muito na ideia de criar esse lugar aqui no Rio de Janeiro, que pudesse ser esse estúdio criativo, mas também esse clube de impressão para receber as pessoas que querem criar e experimentar. Muito da base da minha criação vem desse lugar de brincar, da experimentação mesmo, de tirar um pouco da seriedade da coisa, porque isso mata a nossa vontade criativa. Sempre tento trazer isso, essa leveza.
Tem a parte mais do serviço, né? Que é o batente do dia a dia, que não tem como fugir, até para sustentar um negócio, porque também temos que ser realistas. Mas também quero criar esse lugar para quem quiser ir lá criar, tem todo um maquinário e terá eu para ajudar a dar vida aos projetos. Acho que esse ano vai ser a concretização maior desse lugar mais criativo, desse clube de impressão mesmo.
6. O Blackburn Print Club é majoritariamente um trabalho seu, certo? Há mais pessoas por trás? E, para além dos cursos, você costuma dividir o espaço ou os projetos com outras pessoas?
Basicamente eu, mas tem mais outras duas pessoas que já vêm trabalhando comigo, a Maísa e a Aline. Juntas fizemos um trabalho megalomaníaco no estúdio. Foi um trabalhão muito importante para consolidar também que o Blackburn tá aí, tá vivo, e que tem essa procura. Fizemos uns 150 prints de sete cores e adesivos para um artista que nos procurou. Somos um estúdio independente, não temos maquinários enormes, é a nossa mão, é um trabalho realmente artesanal, manual. Em tudo sai um pouco da gente também.
A minha missão é chamar cada vez mais pessoas que têm interesse para se juntar. Porque sozinha, não tem como. Então é muito bom ver pessoas que estão nessa comigo, com quem eu posso contar. No final do ano também fizemos um trabalho muito legal, demos uma oficina na FARM e foi muito incrível a experiência. Levamos tudo, todo o maquinário e foi a primeira vez que eu fiz isso.
7. E a ideia, então, é tanto ter um espaço para quem quiser ir lá para produzir, mas também formar algumas turmas e dar cursos? Você sempre quis dar aula?
Juh Barbosa
É um pouco dos dois. Dar aulas e cursos é uma forma de sustentar o espaço, mas muitas pessoas também nas redes sociais começaram a buscar isso, a perguntar se eu daria aula ou a falar que queriam aprender comigo. Foi meio natural, mas dá um pouco de nervoso né? Como que eu vou deixar isso interessante para passar para as pessoas? Mas vai fluindo. Você vai fazendo a primeira vez, aí na segunda você tem mais ideias, você vai gostando. Ensinar e ver as pessoas animadas, vendo o resultado do que elas estavam fazendo, foi me instigando a pensar maneiras e formas de transpor a serigrafia. De que formas criativas e legais eu poderia ir passando as técnicas. Então, isso é algo que está na minha cabeça agora.
8. A ideia é que esse ano seja uma certa consolidação do Blackburn Printclub então. E o que você deseja para o futuro dele? Tem algum tipo de projeto que te anima mais ou tem algum plano que deseja tirar do papel?
Juh Barbosa
Sim, com certeza, tem muitos. O que eu quero para ele é que seja um espaço de criação para muitas pessoas. Minha meta agora é conseguir trabalhar muito para entender esses caminhos, mas para ser exatamente esse lugar de acolhimento para pessoas que querem criar com impressão. Um lugar de criatividade, liberdade, um lugar onde, através da arte, as pessoas consigam se encontrar e se conectar. Nessa criação, eu sempre pensei muito nas mulheres. Sempre em como eu posso de certa forma retribuir um pouco pra sociedade com esse lugar também. Por que não pensar num lugar de emancipação financeira através da arte? Então, também desejo como um lugar para ensinar serigrafia para mulheres em situação de vulnerabilidade para que possam encontrar através da serigrafia uma fonte de renda, uma fonte de arte também. A arte transforma. Ou ser só um momento delas mesmo, sabe? De experimentação, de estar presente. Acho que a serigrafia tem muito disso. Você tem que estar muito presente em todos os processos, muito atento a tudo. Exige muita presença sua, é uma forma meio de meditação. Mas de estresse também, muito estresse. Quando dá certo, você quase atinge uma elevação espiritual, porque é uma trabalheira gigantesca. É do céu ao inferno.
9. De que forma a cidade, o cotidiano e seu bairro te inspiram nas experimentações e nas novas ideias? O que acha que mais inspira nas suas criações?
Juh Barbosa
Eu acho que o que mais me inspira é o cotidiano, com certeza, o que eu vivo, o que eu vejo pela cidade. Rio de Janeiro – não tem como não se inspirar aqui toda vez que saímos na rua, seja por coisas legais ou não legais. Essa cidade maravilhosa, caótica. Então, com certeza, onde eu vivo me inspira muito, principalmente agora que eu moro na Zona Norte também, que foi um local que eu me identifiquei bastante.
Vindo da Zona Sul, de Copacabana, Botafogo, enfim, adorava também, curtia muito e curto muito até hoje, mas quando eu vim para a Zona Norte, o bairro em si também, todo esse entorno em volta, me inspirou bastante nas minhas criações. Aqui a gente tem mais contato com a comunidade. Isso da minha mãe também ter escolhido Vila Isabel para criar o negócio dela. E estar ali também trabalhando com ela, é um corre, né? Criar um estabelecimento, estar em contato sempre com muitas pessoas, muitas realidades, enfim. Então torna mais vivas essas experiências e inspirações que tenho.
10. Uma das suas séries, pela qual sou apaixonada, é a Come e Ilustra. Como surgiu a ideia de criá-la?
Juh Barbosa
Já era uma vontade criar algum quadro sobre comida porque eu amo comer, eu amo sair. Eu sou taurina – sem ficar nesse estereótipo dos taurinos, mas eu amo comer de fato. Eu amo uma boa comida e a culinária me inspira muito. De novo, voltando à questão familiar, minha avó materna é do norte. Eu cresci com uma culinária muito forte em casa. Tem pratos que ela fazia que eu lembro até hoje, ficaram na minha mente. Minha mãe e meu pai também cozinham muito bem. Então a comida sempre foi um lugar de inspiração e de reunião.
Eu estava muito engessada e pensei que precisava de um projeto meu. E aí o Come e Ilustra surgiu dessa vontade de experimentação também, trazia para mim as cores, a possibilidade de treinar o desenho e de ser um lugar em que eu pudesse juntar duas coisas que eu gosto muito, que é comer e desenhar.
Então, ele foi surgindo. O primeiro episódio acho que foi no Càm O’n – Thai Food, que é um restaurante em Botafogo de comida tailandesa. Comida maravilhosa, ótima, linda. E aí eu lancei. Depois eu fui numa barraquinha que vendia comida venezuelana. Aí foi surgindo o projeto, as pessoas foram gostando também e fui continuando. É um projeto muito leve, não queria que se transformasse num negócio, porque é isso, na internet tudo pode ser isso, né? Cai nessa pressão. Comer tem que ser muito agradável e esse momento de estar ali, com uma certa demanda de filmar, gravar, então você perde um pouco o foco. Foram surgindo alguns convites também e ficaram bem legais os resultados. Mas aí também eu fui recuando um pouco, porque é isso, eu não queria que deixasse de ser um projeto leve.
11. E você tem uma intenção de continuar ele?
Ele vai voltar. Tenho planos, porque é uma série que junta muitas coisas que eu gosto. Eu gosto muito de gravar vídeos, de traduzir as coisas imageticamente, é o meu hobby. O audiovisual, a ilustração, a criação de uma história – é um projeto que me enche criativamente. Eu não consigo dizer quando ele vai voltar. Tenho planos, criei um perfil no Instagram só para ele, mas sem pressão. Porque a gente cai nessa armadilha da internet de “nossa, preciso muito que isso seja enorme, que isso seja grande” e a gente meio que se confunde, né? Será que isso é o que eu quero ou é uma demanda que não é minha?
Perdemos muito também ao deixar de viver no agora o que estamos construindo. Eu tento muito, nesse momento da vida, estar nesse lugar. Eu acho que a nossa geração ainda lembra o que era viver sem computador. As coisas não precisam ter essa pressa. Eu acho que o tempo fica meio louco, né? “Ai, em cinco meses isso aqui precisa bombar.” Gente, cinco meses não é nada. Um ano não é nada.
Toda hora eu fico me resgatando, pensando até na minha trajetória. Eu desenhava desde criança. Pra eu desenvolver isso aqui que faço agora, demorou quanto tempo? Dez, doze anos? Mais, e não terminou ainda, sabe? Então, fico me ancorando ali pra entender que o tempo é outro. Que a pressa, ela é outra. Porque senão a gente enlouquece. De fato, já caí nesse buraco. Acho que todo mundo já caiu nesse buraco. E é horrível, porque você não consegue criar. Você perde tudo, porque é tudo sempre muito urgente, pra ontem. Eu odeio isso. “Ai, é urgente.” Eu fiquei com ranço dessa palavra urgente. Gente, urgência, o que é urgência, de fato? Eu não quero viver uma vida urgente. Eu quero viver uma vida muito tranquila, muito calma. Também, de novo, entendo que é difícil, que a gente tem demanda, precisa pagar contas, mas eu também acho que a gente pode construir um lugar de mais calma.
12. Você tem um episódio lindo dos botecos de Vila Isabel. Para além dele, ou até considerando alguma das indicações colocadas no vídeo, que projetos ou lugares você mais gosta de frequentar, apoiar ou passear pelo bairro?
[todas indicações com descrições da Juh no mapa abaixo]
Vou começar pelo mais fácil, que é a Kasa 123. Não é porque é da minha mãe não, mas é um lugar onde todo mundo tem que ir. Lá tem uma livraria, a Kitabo, especializada em livros de autores negros, tem uma curadoria maravilhosa, tem o restaurante Angurmê, onde ela ressignifica o angu, traz todo esse resgate histórico do que é o angu, do que foi, de como ele foi importante pra esses povos escravizados que vieram aqui pro Brasil. Ela vai explicar muito melhor do que eu, mas toda essa ressignificação de uma comida que as pessoas definiam como de terceira categoria, com carnes não nobres.
E para além do angu, tem outros pratos, a feijoada – maravilhosa – o bobó de camarão. Tem uma loja também, onde vende camisas, tem coisas minhas que coloco lá para vender, e às quartas-feiras tem baile charme também, então traz um outro ponto de cultura muito interessante ali.
E tudo que está ali dentro foi de reuso basicamente. A bancada que está ali, era uma mesa da nossa casa. As luminárias também eram latas de tomate pintadas. Então a ideia de você conseguir ressignificar de fato tudo que está à sua volta.O que seria descartável – será que de fato é? A gente botava as luzinhas para dar um ambiente mais agradável, os outros bares também começaram a fazer isso, melhoraram as suas calçadas, então é muito legal ver como um estabelecimento que traz um cuidado diferente – para uma valorização também do bairro – impacta nos outros do entorno, na melhora, querendo ou não, de todo um polo gastronômico. Então, recomendo muito, visitem a Kaza 123.
O quadrilátero também, que eu acho que é um ponto muito forte de Vila Isabel para quem gosta de samba, para quem gosta de sentar num boteco, dessa cultura que a gente tem de ficar ali, beber uma cerveja, ouvir um samba e também apreciar a comida de botecos.
13. Pensando na sua relação com a cidade do rio e/ou com seu bairro, qual você diria ser a sua esquina?
Conversa realizada em janeiro de 2026.
Lugares, negócios ou projetos que gosta de frequentar e apoiar
Rio de Janeiro
01 Blackburn Printclub
Rua Engenheiro Gama Lobo, Vila Isabel
02 Kaza 123 + Angurmê + Kitabu Livraria
R. Visc. de Abaeté, 123 - Vila Isabel, Rio de Janeiro - RJ, 20551-080
03 Bar Gato de Botas
Rua Torres Homem, 118
04 Restaurante Cabeça de Bagre
Rua Souza Franco, 254 - Vila Isabel
05 O Patrício
Rua Hipólito da Costa, 12 - Vila Isabel, Rio de Janeiro - RJ, 20551-040
06 Centro Afro Carioca de Cinema
Rua Joaquim Silva, 40 - Lapa, Rio de Janeiro - RJ, 20241-110